Setembro Amarelo: como identificar sinais de sofrimento emocional antes da crise
23/09/2026
(Foto: Reprodução) Setembro Amarelo reforça importância do acolhimento.
Divulgação / Med Imagem
Nem sempre quem está passando por sofrimento emocional consegue pedir ajuda diretamente. Mudanças de comportamento, isolamento, irritabilidade, alterações no sono e no apetite, perda de interesse por atividades e manifestações de desesperança podem indicar que algo não vai bem e merecem atenção.
Segundo Antônio Ferreira Neto (CRP: 21/05204), psicólogo do Grupo Med Imagem Piauí, alguns sinais podem ser percebidos no comportamento cotidiano e merecem atenção, especialmente quando representam mudanças persistentes na rotina.
“Os principais sinais são isolamento. A pessoa pode se trancar no quarto, não querer mais ir à igreja, escola ou trabalho, perder o interesse por tudo, abandonar hobbies, fazer despedidas veladas, como dizendo; ‘vocês vão ficar melhor sem mim’. Além disso, outros sinais são doar pertences, organizar-se como se fosse embora; ter mudanças bruscas no sono, chegando a dormir demais ou quase não dormir ou aumentar o uso de álcool, remédios ou drogas para aliviar o sofrimento”, explica.
A abordagem também deve ser feita com cuidado, respeitando o momento e a privacidade de quem apresenta esses sinais. Para o psicólogo, escolher o ambiente adequado pode favorecer uma conversa mais acolhedora e ajudar para que a pessoa se sinta segura para falar.
“Escolha o lugar e o tom certo. Não aborde a pessoa no meio de todos. Chame-a para um canto, com calma, fale baixo, olhando nos olhos. Pode ser dito, por exemplo: ‘Percebi que você está mais quieto esses dias. Posso conversar cinco minutos com você?’. Aqui, a regra de ouro é 80% ouvir e acolher e 20% falar”, orienta.
Nem todo momento de angústia exige, necessariamente, acompanhamento profissional, mas é importante observar a duração, a intensidade e os impactos que o sofrimento provoca na vida da pessoa. De acordo com Antônio Ferreira Neto, situações circunstanciais podem ser acolhidas com apoio de pessoas próximas, enquanto quadros persistentes ou que interferem na rotina precisam de atenção profissional.
“A angústia acompanhada por amigos, familiares e pela fé resolve quando é circunstancial. Contudo, é imprescindível o tratamento com um profissional quando se torna persistente, desproporcional e causa disfunção. O encaminhamento é conversar com carinho e tentar levar a pessoa ao psicólogo ou ao posto de saúde. É possível também indicar que ligue para o Centro de Valorização da Vida (CVV), no telefone 188, que oferece atendimento 24 horas e gratuito. Se houver risco imediato, quem quer ajudar pode solicitar o SAMU pelo telefone 192 ou levar a pessoa a alguma unidade de atendimento de saúde”, destaca o especialista.
Antônio Neto finaliza dizendo que reconhecer mudanças de comportamento, manter uma escuta acolhedora e saber quando buscar ajuda profissional são medidas importantes para oferecer suporte a quem está passando por sofrimento emocional. “O diálogo, sem julgamentos, pode ser um primeiro passo para aproximar a pessoa da ajuda de que precisa”.