Defesa de Cezinha diz que deputado nega irregularidades e fala em 'circunstância eleitoral'
A defesa do deputado Cezinha de Madureira (PL-SP) divulgou uma nota nesta segunda-feira (14) em que afirma que o parlamentar nega irregularidades e critica a realização de uma operação da Polícia Federal em meio a uma "circunstância política e eleitoral".
No comunicado, assinado pelo escritório Carneiros Advogados, a defesa sustenta que o parlamentar tem a "tranquilidade de quem confia plenamente na Justiça e certo de sua conduta sempre ilibada".
Os advogados declaram que Cezinha está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos cabíveis.
"O deputado está certo de que, assegurados o contraditório e o amplo acesso da defesa aos elementos da investigação e à íntegra do processo, os fatos serão devidamente esclarecidos no devido processo legal, com a demonstração de que nenhuma irregularidade foi cometida", diz trecho da nota.
A defesa também questiona o momento da ação policial: "Importante ressaltar que, conforme a jurisprudência do STF estabelece, medidas de tamanha repercussão deveriam ter sido conduzidas com a devida distância de qualquer circunstância política ou eleitoral".
Entenda a operação
A manifestação da defesa ocorre após o deputado federal e sua mulher, a advogada Valéria Rodrigues Linhares, tornarem-se alvos de mandados de busca e apreensão expedidos pela Polícia Federal na manhã desta segunda-feira.
A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF, que levantou o sigilo da decisão após o cumprimento das medidas.
Na decisão, Dino apontou indícios de que Cezinha de Madureira usava a ascendência de sua função legislativa para passar a terceiros a impressão de que possuía influência sobre decisões de ministros de tribunais superiores, negociando essa suposta influência financeira.
A ofensiva é um desdobramento da Operação Transparência, deflagrada inicialmente em dezembro de 2025, que investiga suspeitas de tráfico de influência, exploração de prestígio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro em processos em tramitação em cortes superiores.
De acordo com as apurações da PF acolhidas pelo relator:
Captação e peças jurídicas: A advogada Mariângela Fialek (conhecida como "Tuca"), ex-servidora da Câmara, captava processos e redigia peças e memoriais técnicos.
Contratos: A advogada Valéria Rodrigues Linhares formalizava os contratos de honorários de êxito e cessões de crédito.
Contatos institucionais: O deputado Cezinha de Madureira atuava nos contatos diretos e despachos com ministros, valendo-se do trânsito parlamentar.Mensagens obtidas pela PF revelaram tratativas envolvendo ações de valores vultosos — como processos ligados à defesa da prefeita de Beberibe (CE) e de um ex-secretário de Belford Roxo (RJ), com previsões de pagamentos que variavam entre R$ 500 mil e R$ 2 milhões.
Magistrados não são investigados
Flávio Dino ressaltou expressamente em seu despacho que ministros do STF, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não são investigados e não cometeram qualquer irregularidade.
O ministro destacou que o objeto da apuração é a "mercancia da influência por quem a ofereceu e a precificou", figurando as autoridades apenas como vítimas de exploração de prestígio.
Entre os elementos reunidos pela PF no inquérito estão a apreensão de R$ 510 mil em dinheiro em espécie com Valéria Linhares no Aeroporto de Congonhas (SP), em agosto de 2026.FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/09/14/defesa-de-cezinha-diz-que-deputado-nega-irregularidades-e-fala-em-circunstancia-politica-e-eleitoral.ghtml